domingo, 4 de dezembro de 2011

Resenha do filme " Nós que aqui estamos por vós esperamos"


O documentário “Nós que aqui estamos por vós esperamos”, dirigido por Marcelo Masgão aborda a transformação vivenciada pela humanidade e todo seu contexto histórico da época. O autor da obra traz uma reflexão sobre fatos ocorridos que revolucionaram a história do mundo.

A obra fílmica é uma espécie de bibliografia do século XX, no qual a arte, o sonho, a realidade, vida e morte, são confrontadas, fazendo uma verdadeira volta ao mundo no meio político, cultural e econômico. Expondo acontecimentos de guerras mundiais e conflitos por eles despertados, como humilhação, tristeza, injustiça e desespero.

Vários fatores são abordados, dentre eles, a revolução industrial atraindo pessoas de toda parte, que trocaram a vida rural pela cidade grande. Exemplos de grandes lideres, escritores, cientistas, estudiosos e artistas, são apresentados, destacando-se no cenário de grandes transformações mundiais. A luta da mulher em busca do seu espaço na sociedade, ganha força trazendo conquistas significantes, modificando seu papel social, deixando de ser apenas dona de casa. Surgimento de diversos equipamentos eletrônicos, avanços científicos e tecnológicos, que se estenderam até os dias atuais.

Portanto podemos perceber que o autor aborda sobre memórias do século XX, a partir de biografias reais e fictícias de grandiosos personagens da época. Usando como artifício imagens de arquivos, frases, extratos de documentários de momentos impactantes, correlacionando os seres humanos e seus respectivos contrastes. Retratando desde pessoas comuns a celebridades, expressando o valor de cada individuo para a história independente da sua posição social. Iguala a todos através da morte, exprimindo a semelhança independentemente de suas realizações ao longo da vida.



Ficha Técnica ..::
Título Original: Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos.
Origem: Brasil, 1998.
Direção: Marcelo Masagão.
Roteiro: Marcelo Masagão.
Produção: Marcelo Masagão. 
Fotografia: Marco Tulio Guglielmoni.
Edição: Marcelo Masagão.
Música: Wim Mertens.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Resenha do filme "O Nome da Rosa"


O filme “O Nome da Rosa”, mostra a estória de um remoto mosteiro beneditino no hemisfério norte da Itália final do ano de 1327. O monge franciscano e renascentista Willian de Baskerville e seu acompanhante noviço Aldo de Melk, chegam a este mosteiro para decidir se a igreja deve doar seus bens aos pobres.

Estranhas mortes ocorrem neste mosteiro, as vitimas são encontradas com os dedos e a língua sujas de tinta, atraindo a curiosidade do franciscano, causando-lhe instabilidade e insegurança. Por estes motivos vão em busca de uma razão para tais crimes, os mais religiosos por não encontrarem explicações naturais, suspeitavam que fossem forças espirituais malignas. O Monge Willian, com características de um empirista, ou seja, busca o conhecimento através de experiências,
não concorda que os acontecimentos sejam de origem espiritual, começando assim uma busca pelo verdadeiro enigma. Apesar da resistência de alguns religiosos do local, inicia suas investigações.

O Grão-Inquisitor, chega ao mosteiro para levar a santa inquisição qualquer um suspeito de heresia. São condenados três inocentes e levados a fogueira por terem cometidos atos contra as ideias da Igreja. Enquanto os réus estão prestes a serem queimados, o franciscano e seu acompanhante concentrados em descobrir a verdade, encontram uma torre onde estão relíquias e livros apócrifos, poucos tinham acesso a este lugar, a biblioteca era um labirinto e quem conseguia chegar ao final era morto.
A razão pala morte dos monges vem de um livro, que tinha suas bordas manchadas, e quem lesse morreria envenenado, desta forma, o que estava escrito no livro jamais seria comentado. Este livro foi escrito pelo filósofo Aristóteles, onde enaltecia o riso, a igreja não aceitava um homem rir de tudo.


A obra retrata uma realidade da época no período Teocêntrico na Idade Média, onde Deus passou a ocupar o centro de toda a vida. Nesta época estudos tinham valores filosóficos, mas não possuía nenhum valor cientifico, pois era através de deduções, sem compromisso com a construção do saber psicológico existindo a necessidade de estabelecer teorias lógicas para garantir o saber sobre o sujeito. Crimes eram realizados para esconder uma verdade nada agradável para a Igreja Católica, que buscava ofuscar o conhecimento do povo, com proibições, impedindo todos de viver com o conhecimento dos livros.

O autor procura mostrar através do filme o pensamento dominante na época medieval caracterizado pela forte influência da Igreja sobre a sociedade. O conhecimento era privilégio para poucos e a qualquer custo protegido pela igreja. O clero era visto com detentor do saber, utilizava-se de dogmas e doutrinas religiosas a fim de manter o domínio e controle.
Os demais permaneciam na ignorância com as informações restritas, pois o acesso ao saber ameaçava a doutrina cristã, por isso era impedido à entrada na biblioteca.

A obra fílmica retrata um assunto complexo, porém rico em detalhes. O autor consegue transmitir claramente o verdadeiro objetivo da igreja. Ao afirmar que os acontecimentos estranhos eram obras demoníacas, o clero mantém seu poder e controle religioso. Em conseqüência, atrai as atenções para longe daquilo que era o real problema para a igreja, manter o domínio do saber e assim, o controle sobre a sociedade.



Ficha Técnica
O Nome da Rosa 
(The Name of the Rose)

País/Ano de produção: Fra/Ita/Ale, 1986
Duração/Gênero: 130 min., policial/suspense
Distribuição: Globo Vídeo ou Flashstar Vídeo
Direção de Jean-Jacques Annaud
Elenco: Sean Connery, F. Murray Abraham, Christian Slater.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Evolução da neuroimagem nos séculos XX e XXI

 Ao analisarmos a neurociência e a psicologia, é possível perceber que observar as doenças psicossomáticas por uma linha isolada da biologia, é limitar o campo de estudo.

Neurociências é uma área interdisciplinar, suas descobertas são extremamente importantes, especialmente na área da psicologia. Os instrumentos tecnológicos surgiram como aliados na busca pelo conhecimento e descobertas do cérebro humano. A historia dos avanços e estudos se desenharam permitindo chegarmos aos resultados que obtemos atualmente.  Nos séculos XX e XXI a neurociência revoluciona. Na área comportamental, permite entender como os sistemas neuronais trabalham juntos para produzir comportamentos integrados, como agem as drogas que alteram a mente, bem como qual a contribuição destes sistemas para regulação do humor e comportamento. Além disso, na área cognitiva permite a compreensão dos mecanismos neurais responsáveis pelas atividades mentais como a consciência, a imaginação e a linguagem.
  A psicologia era relacionada a manifestações da mente (termo que se distingui e se distanciava do cérebro), manifestações comportamentais, distanciando-se da biologia e os processos internos deste campo durante muito tempo. Entretanto no decorrer dos séculos foram descobrindo a ligação e correlação dessas áreas. A neurociência neste contexto aparece no intuito de ampliar esta visão da psicologia, chegando com uma nova proposta, mostrando que as ciências biológicas conseguem explicar alguns processos que a psicologia atribuía a questões fora deste contexto biológico. As pesquisas em neurociências possibilitam conteúdos e bases para o melhor entendimento das bases neurobiológicas das psicopatologias.

Os exames de neuroimagem têm uma contribuição muito importante para a psicologia, porque através do mesmo pode-se conhecer e contribuir para a mudança ou melhora do comportamento de cada indivíduo. Por exemplo, um teste denominado bateria de Emoções Morais (BEM), que utiliza a ressonância magnética funcional (RMF) mostra “como o cérebro dos indivíduos se comportam ao fazerem julgamentos morais, que envolvem emoções sócias positivas, como, arrependimento, culpa e compaixão’’(Livro: Mentes perigosas, o psicopata mora ao lado, Página 78, Autora:
O que conhecemos hoje ligados aos avanços da neuroimagem deve-se ao desejo de entender o complexo mundo do cérebro. Compreender fenômenos até então inexplicáveis relacionar sua origem, apresentar soluções ou interferir de maneira positiva foram combustíveis que moveram grandes pesquisadores. A princípio métodos rústicos foram utilizados, evoluindo ao longo dos séculos  para o que conhecemos hoje como tecnologia de última geração aliado saúde neuropsicológica.




 Referencias:
Bear.M.F. Neurociências: Desvendando o Sistema Nervoso
Livro: (Mentes perigosas, o psicopata mora ao lado, Página 78, Autora: Ana Beatriz Barbosa silva, editora: Fontanar.











terça-feira, 29 de novembro de 2011

Dados Estatísticos das Ideias Psicológicas de  1950 a 2000



segunda-feira, 31 de outubro de 2011

COMO AS EMOÇÕES FORAM VISTAS AO LONGO DA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA (FREUD)

Psicologia é a ciência da psique, ou da mente, que estuda o comportamento humano e seus processos mentais. Refere-se a um conjunto de funções que se distinguem em três grandes vias: a via ativa (movimento, instintos, hábitos, vontade, liberdade, tendências e inconsciente); a via afetiva (prazer e dor, emoção, sentimentos, paixão, amor); e a via intelectiva (sensação, percepção, imaginação, memória, idéias, associação de idéias). Estas três vias articulam-se em grandes sínteses e conativas.

Ao longo da historia os seres humanos começaram a apresentar instabilidades e transtornos na área emocional, como o stress, angústia e fobias atingindo o seu comportamento, influenciando no relacionamento interpessoal. Percebe-se desde então, a necessidade de pedir ajuda. Sendo assim, no princípio do século XX Sigmund Freud pai da psicanálise, inicia sua carreira como médico neurologista, entretanto, foram os problemas psicológicos, que chamaram a sua atenção, o levando a voltar-se ao estudo dessa área. Começando então a tratar pacientes que apresentavam alteração e disfuncionalide emocional, introduziu a abordagem psicodinâmica, descobrindo que os traumas de infância, provocaram na fase adulta.

Teoria Psicanalítica de Freud
   Inicialmente, Freud usou a hipnose no tratamento de seus pacientes, método empregado na época. Durante o sono hipnótico, constatou o aparecimento e desaparecimento de sintomas histéricos tais como paralisias, cegueiras e outros. Freud concluiu que tais fenômenos não tinham um comprometimento físico ou neurológico como acreditava os médicos da época. Então, Freud foi em busca da origem psíquica dos distúrbios comportamentais.
   Freud observou que, após o sono hipnótico, pacientes adotavam condutas que lhes eram sugeridas quando inconscientes. Dali concluiu que a conduta humana poderia ser influenciada não somente pelos conteúdos psíquicos conscientes, mas também inconscientes. Com esta descoberta, Freud mudou o centro de interesses da psicologia da época, do consciente para o inconsciente.

   Aos poucos, Freud criou a técnica que se tornou o processo padronizado da psicanálise: o método catártico ou de associação livre.
    Com o uso deste procedimento, Freud notou o desaparecimento de muitos sintomas de desajustamento. Seria a “cura pela fala”. Este procedimento permitiu a Freud concluir também que cada ocorrência está relacionada, de alguma forma, a outra anterior e assim por diante, de forma significativa.

   Tudo o que o paciente diz está relacionado com o que disse anteriormente, de modo que a análise atenta do psicanalista pode identificar a significação inconsciente da sua verbalização. Além disso, as associações levam, ordinariamente, às ocorrências da primeira infância. A existência do inconsciente consitiuiu um dos pilares básicos da teoria e prática psicanalíticas. Portanto
o inconsciente é o verdadeiro objeto da investigação psicológica.

Estrutura e Dinâmica da Personalidade
   A personalidade é composta por três grandes sistemas: o id, o ego, e o superego.
     Id: o Id é a única fonte de toda energia psíquica (libido). É de origem orgânica e hereditária. Apresenta a forma de instintos inconscientes que impulsionam o organismo. Há dois tipos de instintos: de vida, tais como fome, sede e sexo; e os de morte, que apresentam a forma de agressão.
         O Id não tolera a tensão. Se o nível de tensão é elevado, age no sentido de descarregá-la.  O princípio de redução de tensão, pela qual o id opera chama-se princípio do prazer.
 Ego: existe porque são necessárias transações apropriadas, com o mundo objetivo da realidade. 
 Superego: é o representante interno das normas e valores sociais que foram transmitidas pelos pais através do sistema de castigos e recompensas imposto à criança. Com a formação do superego, o controle dos pais é substituído pelo autocontrole. De uma maneira geral, o id pode ser considerado o componente biológico da personalidade, o ego, o componente psicológico e o superego o componente social. O comportamento do adulto normal é o resultado da interação recíproca dos três sistemas, que, em geral, não colidem e nem têm objetivos diversos.

     Níveis de Consciência
   Um conteúdo mental qualquer pode estar, para Freud, em um dos três níveis de consciência: consciente, pré-consciente e inconsciente.
    O consciente inclui tudo aquilo de que estamos cientes num determinado momento. O pré-consciente (ou subconsciente) se constitui nas memórias que podem se tornar acessíveis a qualquer momento. No inconsciente estão elementos, instintivos e material reprimido, inacessíveis à consciência e que podem vir à tona num sonho, num ato falho ou pelo método da associação livre.  Existe relação entre os três sistemas da personalidade e os três níveis de consciência.

    Desenvolvimento Psicossexual
   A teoria de Freud é essencialmente desenvolvimentista. A formação da personalidade está relacionada ao processo de desenvolvimento do instinto sexual, processo que se inicia logo no primeiro anda de vida.   Na fase oral ( primeiro ano de vida ) a  criança satisfaz sua necessidade sexual pela boca. Obtém o prazer através da sucção.  
Na fase anal (segundo e terceiro ano de vida), a criança experimenta satisfação em expulsar as fezes ou em retê-las. Uma fixação nesta fase pode explicar traços da personalidade adulta como absessividade com limpeza e arrumação, avareza ou outros.
   Na fase fálica (do terceiro ao quinto ano de vida), a criança descobre seu sexo. Experimenta prazer ao manusear os órgãos genitais. Este estágio é importante porque é o período em que Freud situa o Complexo de Édipo. A criança ama o genitor do sexo oposto, sente ciúmes do genitor do mesmo sexo porque este está lhe roubando o amor daquele. Ao mesmo tempo, tais sentimentos trazem ansiedade. Para resolver o conflito, aliviar a ansiedade, a criança identifica-se com o genitor do mesmo sexo, incorporando as características do papel típico masculino ou feminino e os valores morais sociais. A resolução do conflito edipiano é considerada como a causa de grande parte das neuroses. O homossexualismo Pode ter, também, suas origens nesta fase.
   A fase de latência (do quinto ao décimo segundo ano de vida) corresponde, em geral, aos anos de escola, nos quais há um antagonismo típico entre meninos e meninas.
A fase genital (do décimo segundo ano em diante) surge quando o adolescente passa a voltar-se para as outras pessoas e coisas, deixando de ser, para si mesmo, o objeto de maior interesse. É o início e a continuação das ligações heterossexuais, do interesse pelas atividades humanas adultas, do assumir o seu papel no mundo social.


Emoções abordadas por Freud
    Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo, sexo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção dependem do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente.
. No inconsciente estão elementos, instintivos e materiais reprimido, inacessíveis à consciência e que podem vir à tona num sonho, num ato falho ou pelo método da associação livre.
Observado as linhas teóricas de Freud pode-se verificar que, conseqüências de traumas e transtornos emocionais são respostas oriundas do medo aprendido gerando conseqüências, expressas pelo inconsciente. Freud afirma ainda, a existência de duas pulsões inatas: a pulsão da vida, auto-preservação do indivíduo, pulsões sexuais e a pulsão da morte, comportamentos agressivos.
  Freud acreditava que histeria era uma forma de manifestação da neurose, na qual emoções reprimidas levariam aos sintomas da histeria. Estes sintomas poderiam desaparecer se o paciente conseguisse expressar as emoções reprimidas que o impediam de lidar em sua vida normal. Com isso, Freud trabalhou no desenvolvimento de formas, que atingissem essas emoções reprimidas (aprendida).
  Ao longo de sua trajetória, Freud percebeu a necessidade de desvendar os mistérios do comportamento humano e suas manifestações. Como certos traumas traziam a tona emoções reprimidas, expressas por alguma deficiência física de origem meramente emocional (aprendida) ou alterações no comportamento humano, incapazes de serem explicadas pela medicina tradicional da época. Diante disso Freud chega a conclusões que levam a tratamentos dessas emoções, como a criação da psicanálise, na qual o paciente expressava através da fala seus traumas e medos reprimidos e teorias que buscavam explicar a natureza da emoção humana.

   Referências
Psicologia Geral, por Elaine Maria Pisani, Guy Paulo Bisi, Luiz Antônio Rizzon e Ugo Nicoleto. 12ª Ed. Revisada e atualizada. Porto Alegre, Editora Vozes

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Estamira

O documentário é uma obra do fotógrafo brasileiro Marcos Prado, aborda a história de uma senhora de 63 anos. Seu nome, Estamira, vivia e trabalhava no lixão de Jardim Gramacho bairro de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, por mais de vinte anos. Sua vida é marcada por tragédias e aborda questões que vão da miséria a loucura, o autor nos convida a rever conceitos já formalizados, nos faz repensar sobre o que realmente seria sanidade ou insanidade.

Vítima da desigualdade social, a prostituição lhe é imposta aos doze anos como forma de sobrevivência, permanecendo até os dezessete. Saindo, casou-se duas vezes, foi traída pelo os dois maridos, com o primeiro teve dois filhos, o segundo fez com que ela internasse sua mãe em um sanatório. Foi expulsa de casa, devido sua agressividade, conseqüência da descoberta das amantes do cônjuge, que lhes eram apresentadas como supostas amigas em sua própria casa. Violentada sexualmente por duas vezes, passou então a ter alucinações, instabilidade emocional, desordens na personalidade e dificuldades nas relações interpessoais. Se outrora muito religiosa, passou desde então, a desacreditar na existência de um Deus, demonstrava revolta contra aqueles que ousassem pronunciar seu nome, desconsiderando qualquer pessoa. Mergulhada em seu sofrimento e sem escolha foi viver no lixão. Demonstrando conhecer o algoz que a transformara em um ser marginalizado, marcada pelas seqüelas da vida, tornou-se uma mulher revoltada e amargurada.

Seu filho tentou interná-la por diversas vezes, alegando tratar-se de problemas no sistema nervoso, discordado de sua irmã que temia passar pelo mesmo sofrimento da mãe ao internar a avó, que não fora bem tratada. Apesar dos transtornos psicológicos, ela transita entre os dois mundos, real e “insano”, deixando sua família apreensiva, sobre como tratá-la.

Observando seu quadro patológico o autor nos leva a fazer uma reflexão de como uma pessoa que demonstra loucura, consegue ao mesmo tempo, ser consciente em seu discurso, admirando a todos com suas interpretações filosóficas, mostrando ser uma mulher lúcida explicando fenômenos humanos de forma eloqüente, sendo ao mesmo tempo questionadora. As alucinações tornam-se um ponto de fuga, de uma realidade desesperadora e cruel. Perturbada mergulha dentro de si mesma, criando suas teorias e discursos, que expunha sua visão e emoção, era uma forma de desabafo, de uma alma marcada pelas seqüelas da vida.

Estamira critica o sistema político e social, que impõem regras ao ser humano, para não ser considerado louco ou inapto ao convívio, o indivíduo submete-se aos padrões, visando ser aceito e considerado normal dentro das normas sociais. Em uma das suas afirmações, a nossa personagem expõe que os médicos são meros copiadores, sem personalidade própria, que não resolviam seus problemas psicológicos, apenas queriam sedá-la
. É interessante como Estamira se expressa diante das gravações demonstrando lucidez e muita tristeza, por tanto desperdício que os indivíduos e que é encontrado no lixão, e ao mesmo tempo como superar uma realidade insuportável de ser vivida por muitos indivíduos excluídos da sociedade.

Ela é contra a alienação do homem, critica uma suposta sociedade de controle, com estrutura para calar as vozes dos rebeldes, dizendo fazer o bem comum. Suas ideoloogias marcam quem as ouvem, pois vêem em suas loucuras, sábias palavras,que nos leva a repensar sobre bases teóricas, filosóficas e demais linhas de pensamentos que nos impõem, sem questioná-lasas executamos.

Contudo, ao analisarmos a trajetória da personagem, percebemos que sua loucura não lhe traz apenas conseqüências negativas, mas também demonstra resultado de conhecimento para essa realidade perturbadora. Conseguia expor o que pensava e sentia em relação ao que controlava as pessoas através de regras pré- estabelecidas. Ela é a realidade que pessoas sem estudo também são capazes de pensar, analisar e agir de forma contrária aos padrões do sistema. Seu exemplo é capaz de nos comover e ao mesmo tempo em que nos surpreende. Sua história é uma lição de vida, de força e superação, nos ensina a questionarmos, a construir e desconstruirmos certos padrões. Estamira é uma guerreira sem valor, uma sábia sem reconhecimento, tinha conteúdo, mas não havia quem lhe desse crédito, gritava ser sem ouvida, não tinha quem a deixasse falar o que pensava e o que sentia. Um dia deixou bem claro quando disse: “quem mora no lixão é esquecido pela sociedade”.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sustentabilidade Ambiental



 Sustentabilidade ambiental, termo usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. A busca do desenvolvimento econômico aliado à preservação do meio ambiente, a sustentabilidade ratifica a sobrevivência do planeta.


 A expressão “desenvolvimento sustentável” é muito nova. Foi dita pela primeira vez em 1979, durante o Simpósio das Nações Unidas sobre Interpelações de Recursos. No entanto o assunto e sua relação com o meio ambiente é bem mais antiga. Antes disso, em 1973, já havia usado o termo Ecodesenvolvimento, que não se firmou. O desenvolvimento sustentável começa a ter destaque no movimento ambientalista, com defensores e críticos em todas as áreas, passando por grandes transformações ao longo dos anos.


  A reciclagem de materiais, o uso de bicombustível, a preservação das matas, o replantio de árvores, o consumo de alimentos orgânicos, a exploração racional dos recursos minerais e o controle do consumo de água pela população, são ações de busca da sustentabilidade para preservação e sobrevivência do planeta.


  Podemos observar que nos dias atuais há maior preocupação com a conservação do meio ambiente, para alguns, porém muitos não estão se preocupando e permitindo a devastação das matas.
Pensando nisso o professor Wllington Magalhães fundou a ONG ACSVC (Associação cultural e sócio ambiental Velho Chico) que vem realizando atividades de educação ambiental e social, implantando coletas seletivas de resíduos e explicando passo a passo a melhor forma de reciclagem, e como está sendo aplicado o valor adquirido no produto reciclado.


  Parte do valor é investido no transporte de árvores para que sejam plantadas na bacia hidrográfica do Rio  São Francisco. Além do trabalho ambiental, a ONG gera fonte de renda para as pessoas que trabalham na coleta desses resíduos, as comunidades ribeirinhas também são beneficiadas com essa ação, já que as árvores plantadas são frutíferas, podendo ser usadas para a fabricação de alimentos e bebidas como doces e sucos. A ONG Valho Chico, vem realizando trabalhos sociais de grande importância, ensinando por meios de palestras e ações construir  um ambiente limpo e rico de recursos naturais. Seu projeto foi apresentado para os alunos da Faculdade Castro Alves a fim de conscientizar sobre os problemas gerados ao meio ambiente. 


 
  Sendo assim todos nós, devemos fazer algo novo para contribuir com a melhoria de nossa própria qualidade de vida. Abandonar velhos hábitos e cultivar novos, a fim de nos reeducarmos, no que diz respeito ao nosso relacionamento com a natureza. Precisamos aprender a viver em harmonia, respeitando o que o nosso planeta tem a nos oferecer. Como diz o próprio professor Wellington: "Precisamos devolver ao mundo a condição  de paraíso dada por Deus".