segunda-feira, 31 de outubro de 2011

COMO AS EMOÇÕES FORAM VISTAS AO LONGO DA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA (FREUD)

Psicologia é a ciência da psique, ou da mente, que estuda o comportamento humano e seus processos mentais. Refere-se a um conjunto de funções que se distinguem em três grandes vias: a via ativa (movimento, instintos, hábitos, vontade, liberdade, tendências e inconsciente); a via afetiva (prazer e dor, emoção, sentimentos, paixão, amor); e a via intelectiva (sensação, percepção, imaginação, memória, idéias, associação de idéias). Estas três vias articulam-se em grandes sínteses e conativas.

Ao longo da historia os seres humanos começaram a apresentar instabilidades e transtornos na área emocional, como o stress, angústia e fobias atingindo o seu comportamento, influenciando no relacionamento interpessoal. Percebe-se desde então, a necessidade de pedir ajuda. Sendo assim, no princípio do século XX Sigmund Freud pai da psicanálise, inicia sua carreira como médico neurologista, entretanto, foram os problemas psicológicos, que chamaram a sua atenção, o levando a voltar-se ao estudo dessa área. Começando então a tratar pacientes que apresentavam alteração e disfuncionalide emocional, introduziu a abordagem psicodinâmica, descobrindo que os traumas de infância, provocaram na fase adulta.

Teoria Psicanalítica de Freud
   Inicialmente, Freud usou a hipnose no tratamento de seus pacientes, método empregado na época. Durante o sono hipnótico, constatou o aparecimento e desaparecimento de sintomas histéricos tais como paralisias, cegueiras e outros. Freud concluiu que tais fenômenos não tinham um comprometimento físico ou neurológico como acreditava os médicos da época. Então, Freud foi em busca da origem psíquica dos distúrbios comportamentais.
   Freud observou que, após o sono hipnótico, pacientes adotavam condutas que lhes eram sugeridas quando inconscientes. Dali concluiu que a conduta humana poderia ser influenciada não somente pelos conteúdos psíquicos conscientes, mas também inconscientes. Com esta descoberta, Freud mudou o centro de interesses da psicologia da época, do consciente para o inconsciente.

   Aos poucos, Freud criou a técnica que se tornou o processo padronizado da psicanálise: o método catártico ou de associação livre.
    Com o uso deste procedimento, Freud notou o desaparecimento de muitos sintomas de desajustamento. Seria a “cura pela fala”. Este procedimento permitiu a Freud concluir também que cada ocorrência está relacionada, de alguma forma, a outra anterior e assim por diante, de forma significativa.

   Tudo o que o paciente diz está relacionado com o que disse anteriormente, de modo que a análise atenta do psicanalista pode identificar a significação inconsciente da sua verbalização. Além disso, as associações levam, ordinariamente, às ocorrências da primeira infância. A existência do inconsciente consitiuiu um dos pilares básicos da teoria e prática psicanalíticas. Portanto
o inconsciente é o verdadeiro objeto da investigação psicológica.

Estrutura e Dinâmica da Personalidade
   A personalidade é composta por três grandes sistemas: o id, o ego, e o superego.
     Id: o Id é a única fonte de toda energia psíquica (libido). É de origem orgânica e hereditária. Apresenta a forma de instintos inconscientes que impulsionam o organismo. Há dois tipos de instintos: de vida, tais como fome, sede e sexo; e os de morte, que apresentam a forma de agressão.
         O Id não tolera a tensão. Se o nível de tensão é elevado, age no sentido de descarregá-la.  O princípio de redução de tensão, pela qual o id opera chama-se princípio do prazer.
 Ego: existe porque são necessárias transações apropriadas, com o mundo objetivo da realidade. 
 Superego: é o representante interno das normas e valores sociais que foram transmitidas pelos pais através do sistema de castigos e recompensas imposto à criança. Com a formação do superego, o controle dos pais é substituído pelo autocontrole. De uma maneira geral, o id pode ser considerado o componente biológico da personalidade, o ego, o componente psicológico e o superego o componente social. O comportamento do adulto normal é o resultado da interação recíproca dos três sistemas, que, em geral, não colidem e nem têm objetivos diversos.

     Níveis de Consciência
   Um conteúdo mental qualquer pode estar, para Freud, em um dos três níveis de consciência: consciente, pré-consciente e inconsciente.
    O consciente inclui tudo aquilo de que estamos cientes num determinado momento. O pré-consciente (ou subconsciente) se constitui nas memórias que podem se tornar acessíveis a qualquer momento. No inconsciente estão elementos, instintivos e material reprimido, inacessíveis à consciência e que podem vir à tona num sonho, num ato falho ou pelo método da associação livre.  Existe relação entre os três sistemas da personalidade e os três níveis de consciência.

    Desenvolvimento Psicossexual
   A teoria de Freud é essencialmente desenvolvimentista. A formação da personalidade está relacionada ao processo de desenvolvimento do instinto sexual, processo que se inicia logo no primeiro anda de vida.   Na fase oral ( primeiro ano de vida ) a  criança satisfaz sua necessidade sexual pela boca. Obtém o prazer através da sucção.  
Na fase anal (segundo e terceiro ano de vida), a criança experimenta satisfação em expulsar as fezes ou em retê-las. Uma fixação nesta fase pode explicar traços da personalidade adulta como absessividade com limpeza e arrumação, avareza ou outros.
   Na fase fálica (do terceiro ao quinto ano de vida), a criança descobre seu sexo. Experimenta prazer ao manusear os órgãos genitais. Este estágio é importante porque é o período em que Freud situa o Complexo de Édipo. A criança ama o genitor do sexo oposto, sente ciúmes do genitor do mesmo sexo porque este está lhe roubando o amor daquele. Ao mesmo tempo, tais sentimentos trazem ansiedade. Para resolver o conflito, aliviar a ansiedade, a criança identifica-se com o genitor do mesmo sexo, incorporando as características do papel típico masculino ou feminino e os valores morais sociais. A resolução do conflito edipiano é considerada como a causa de grande parte das neuroses. O homossexualismo Pode ter, também, suas origens nesta fase.
   A fase de latência (do quinto ao décimo segundo ano de vida) corresponde, em geral, aos anos de escola, nos quais há um antagonismo típico entre meninos e meninas.
A fase genital (do décimo segundo ano em diante) surge quando o adolescente passa a voltar-se para as outras pessoas e coisas, deixando de ser, para si mesmo, o objeto de maior interesse. É o início e a continuação das ligações heterossexuais, do interesse pelas atividades humanas adultas, do assumir o seu papel no mundo social.


Emoções abordadas por Freud
    Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo, sexo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção dependem do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente.
. No inconsciente estão elementos, instintivos e materiais reprimido, inacessíveis à consciência e que podem vir à tona num sonho, num ato falho ou pelo método da associação livre.
Observado as linhas teóricas de Freud pode-se verificar que, conseqüências de traumas e transtornos emocionais são respostas oriundas do medo aprendido gerando conseqüências, expressas pelo inconsciente. Freud afirma ainda, a existência de duas pulsões inatas: a pulsão da vida, auto-preservação do indivíduo, pulsões sexuais e a pulsão da morte, comportamentos agressivos.
  Freud acreditava que histeria era uma forma de manifestação da neurose, na qual emoções reprimidas levariam aos sintomas da histeria. Estes sintomas poderiam desaparecer se o paciente conseguisse expressar as emoções reprimidas que o impediam de lidar em sua vida normal. Com isso, Freud trabalhou no desenvolvimento de formas, que atingissem essas emoções reprimidas (aprendida).
  Ao longo de sua trajetória, Freud percebeu a necessidade de desvendar os mistérios do comportamento humano e suas manifestações. Como certos traumas traziam a tona emoções reprimidas, expressas por alguma deficiência física de origem meramente emocional (aprendida) ou alterações no comportamento humano, incapazes de serem explicadas pela medicina tradicional da época. Diante disso Freud chega a conclusões que levam a tratamentos dessas emoções, como a criação da psicanálise, na qual o paciente expressava através da fala seus traumas e medos reprimidos e teorias que buscavam explicar a natureza da emoção humana.

   Referências
Psicologia Geral, por Elaine Maria Pisani, Guy Paulo Bisi, Luiz Antônio Rizzon e Ugo Nicoleto. 12ª Ed. Revisada e atualizada. Porto Alegre, Editora Vozes

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Estamira

O documentário é uma obra do fotógrafo brasileiro Marcos Prado, aborda a história de uma senhora de 63 anos. Seu nome, Estamira, vivia e trabalhava no lixão de Jardim Gramacho bairro de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, por mais de vinte anos. Sua vida é marcada por tragédias e aborda questões que vão da miséria a loucura, o autor nos convida a rever conceitos já formalizados, nos faz repensar sobre o que realmente seria sanidade ou insanidade.

Vítima da desigualdade social, a prostituição lhe é imposta aos doze anos como forma de sobrevivência, permanecendo até os dezessete. Saindo, casou-se duas vezes, foi traída pelo os dois maridos, com o primeiro teve dois filhos, o segundo fez com que ela internasse sua mãe em um sanatório. Foi expulsa de casa, devido sua agressividade, conseqüência da descoberta das amantes do cônjuge, que lhes eram apresentadas como supostas amigas em sua própria casa. Violentada sexualmente por duas vezes, passou então a ter alucinações, instabilidade emocional, desordens na personalidade e dificuldades nas relações interpessoais. Se outrora muito religiosa, passou desde então, a desacreditar na existência de um Deus, demonstrava revolta contra aqueles que ousassem pronunciar seu nome, desconsiderando qualquer pessoa. Mergulhada em seu sofrimento e sem escolha foi viver no lixão. Demonstrando conhecer o algoz que a transformara em um ser marginalizado, marcada pelas seqüelas da vida, tornou-se uma mulher revoltada e amargurada.

Seu filho tentou interná-la por diversas vezes, alegando tratar-se de problemas no sistema nervoso, discordado de sua irmã que temia passar pelo mesmo sofrimento da mãe ao internar a avó, que não fora bem tratada. Apesar dos transtornos psicológicos, ela transita entre os dois mundos, real e “insano”, deixando sua família apreensiva, sobre como tratá-la.

Observando seu quadro patológico o autor nos leva a fazer uma reflexão de como uma pessoa que demonstra loucura, consegue ao mesmo tempo, ser consciente em seu discurso, admirando a todos com suas interpretações filosóficas, mostrando ser uma mulher lúcida explicando fenômenos humanos de forma eloqüente, sendo ao mesmo tempo questionadora. As alucinações tornam-se um ponto de fuga, de uma realidade desesperadora e cruel. Perturbada mergulha dentro de si mesma, criando suas teorias e discursos, que expunha sua visão e emoção, era uma forma de desabafo, de uma alma marcada pelas seqüelas da vida.

Estamira critica o sistema político e social, que impõem regras ao ser humano, para não ser considerado louco ou inapto ao convívio, o indivíduo submete-se aos padrões, visando ser aceito e considerado normal dentro das normas sociais. Em uma das suas afirmações, a nossa personagem expõe que os médicos são meros copiadores, sem personalidade própria, que não resolviam seus problemas psicológicos, apenas queriam sedá-la
. É interessante como Estamira se expressa diante das gravações demonstrando lucidez e muita tristeza, por tanto desperdício que os indivíduos e que é encontrado no lixão, e ao mesmo tempo como superar uma realidade insuportável de ser vivida por muitos indivíduos excluídos da sociedade.

Ela é contra a alienação do homem, critica uma suposta sociedade de controle, com estrutura para calar as vozes dos rebeldes, dizendo fazer o bem comum. Suas ideoloogias marcam quem as ouvem, pois vêem em suas loucuras, sábias palavras,que nos leva a repensar sobre bases teóricas, filosóficas e demais linhas de pensamentos que nos impõem, sem questioná-lasas executamos.

Contudo, ao analisarmos a trajetória da personagem, percebemos que sua loucura não lhe traz apenas conseqüências negativas, mas também demonstra resultado de conhecimento para essa realidade perturbadora. Conseguia expor o que pensava e sentia em relação ao que controlava as pessoas através de regras pré- estabelecidas. Ela é a realidade que pessoas sem estudo também são capazes de pensar, analisar e agir de forma contrária aos padrões do sistema. Seu exemplo é capaz de nos comover e ao mesmo tempo em que nos surpreende. Sua história é uma lição de vida, de força e superação, nos ensina a questionarmos, a construir e desconstruirmos certos padrões. Estamira é uma guerreira sem valor, uma sábia sem reconhecimento, tinha conteúdo, mas não havia quem lhe desse crédito, gritava ser sem ouvida, não tinha quem a deixasse falar o que pensava e o que sentia. Um dia deixou bem claro quando disse: “quem mora no lixão é esquecido pela sociedade”.